A Pregação e o Pregador

A Pregação e o PregadorA crise teológica enfrentada pela igreja contemporânea tem resultado em cristãos, outrora sinceros e de boa vontade, agora frustrados em suas expectativas para com Deus – falsas expectativas. A abordagem foco do neopentecostalismo, a saber, dinheiro, milagres e realizações pessoais, tem criado uma imagem deturpada do caráter e propósitos do evangelho bíblico genuíno, que visa a salvação como princípio fundamental de sua aplicação (Mateus 6.33).

As igrejas pentecostais, tradicionais e reformadas não estarão imunes à contaminação desse pseudo-evangelho, a não ser que haja uma preocupação e um investimento na pregação da verdadeira palavra de Deus, através da conscientização e da formação de pregadores e professores “vacinados” contra as armadilhas tentadoras dos pregadores da prosperidade e outros afins.
 
Ao tratar de homilética, o objetivo último é desvencilhar os pregadores e aspirantes do esteriótipo atual do pregador pentecostal, dedo em riste, voz trovejante e ameaçadora, ou uma personagem teatral e artística. Há a necessidade da naturalidade, simplicidade e humildade do pregador ideal aos propósitos bíblicos: comunicar a verdade e não a si mesmo.
 
Tratando de hermenêutica, o propósito é alicerçar o orador para que possa construir o sermão sobre uma base consistente,  refugiando-se das armadilhas teológicas da atualidade.
 
Este trabalho não visa ser um manual teológico e sequer esgotar o conteúdo das disciplinas de teologia prática aqui abordada, mas servir de apoio para a prática da pregação, atendo-se a assuntos que possibilitem este fim.
 
Que a simplicidade deste não sirva de limitação para o crescimento e amadurecimento daqueles que dele buscam se beneficiar.

Parte 01 – Para quem pregar?

Para que a pregação cumpra a sua missão principal, é de suma importância que o ouvinte esteja no centro do propósito do pregador, no momento de escolher a temática, na abordagem, na escolha da linguagem mais adequada até a conclusão da palavra. A pregação existe por causa do ouvinte e não por causa do pregador. É necessário, então:
 
1.    Pregar para todos os ouvintes

Com exceção de reuniões fechadas para grupos específicos, a igreja é frequentada por vários tipos de pessoas, muitas delas não conhecedoras ou não convertidas ao evangelho e que, em diversas situações, vêm à igreja em busca de uma resposta para seus dilemas ou uma solução para os seus problemas.
 
Por um lado, Jesus deve ser revelado como a solução, a resposta, o motivo e o alvo do ser humano; por outro, não deve ser oferecido como o “produto” solucionador das mazelas sociais e naturais do homem, pois essa não é a proposta última do evangelho. O descrente precisa compreender e aceitar a mensagem central do evangelho, a saber, a cruz de Cristo. Existe uma grande probabilidade de que o convertido viva milagres no âmbito profissional, pessoal, familiar, conjugal e em todas as áreas de sua vida, mas que o milagre não seja o motivo de aceitarem a fé, mas a busca pelo Reino de Deus e de sua justiça (Mateus 6.33).
 
Com foco nos diversos ouvintes, o pregador deve ter o cuidado de não se dirigir à igreja como se todos soubessem exatamente do que ele está falando, citando um número interminável de versículos desconexos ou fazendo alusões à diversas passagens e histórias bíblicas, pois o desconhecimento dos ouvintes dificultará a compreensão e, embora o pregador possa sentir-se realizado com a sua atuação e até mesmo ser reconhecido assim por alguns, o propósito fundamental de ensinar e trazer crescimento não terá sido atingido.
 
2.    Levar em consideração as necessidades dos ouvintes

Como visto acima, o foco da pregação é o ouvinte, ou seja, as pessoas com as quais Deus espera falar através da pregação. Sendo assim, o pregador será mais bem sucedido se levar em consideração que as pessoas que estão presentes têm necessidades que precisam ser supridas. A mensagem da Palavra de Deus não pode ser utópica, levando a platéia ao êxtase ou a lugares imaginários, mas real, pois Deus é real e o ouvinte espera e precisa encontrar respostas reais para situações reais e o meio para chegar a estas respostas está revelado na Palavra de Deus.
 
Segundo Abraham Maslow, as necessidades do ser humano estão dispostas em uma pirâmide em escala de valores, ficando na base as necessidades mais fundamentais, que serão buscadas em primazia, evoluindo até as necessidades intelectuais, culminado nas necessidades de auto-realização.
 
Pirâmide das necessidades de Abraham Maslow
· Necessidades fisiológicas: Alimentação, sono, urinar, evacuar, sexo.
· Necessidades de segurança: Busca de proteção contra ameaça ou privação. Fuga do perigo.
· Necessidades sociais (afeto): Associação, aceitação, amizade, afeto, amor.
· Necessidades de auto-estima: reconhecimento das capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à capacidade de adequação às funções desempenhadas.
· Necessidade de auto-realização: Realizar todo o potencial e desenvolver-se continuamente
 
Jesus pregava sermões em casa, nos montes, nas sinagogas, sempre partindo do interesse e da necessidade dos ouvintes (Lucas 10.25,26; João 4.10; Lucas 4.16-30)
 
3.    Escolher uma linguagem comum aos ouvintes

A diversidade cultural, social, intelectual e etária é um desafio para todos aqueles que desempenham trabalhos no ambiente eclesiástico, e o pregador da Palavra não é exceção. A escolha da linguagem é de extrema importância para que o propósito da homilia não fique comprometido. Todos os cristãos verdadeiros acreditam que Deus fala aos ouvintes através do pregador, e isso é fato. A questão em foco é a linguagem e abordagem que o pregador usará para se dirigir àqueles com quem Deus falará, tornando o processo mais proveitoso e agradável. Portanto, é importante ter informações básicas do ambiente onde será desenvolvida a preleção, como costumes, cultura, nível acadêmico, etc. Não seria proveitoso, nem para orador nem para interlocutor, o uso de linguagem polida e técnica entre pessoas simples e de pouca escolaridade, da mesma forma que linguagem demasiadamente popular não seria conveniente em um ambiente de alto nível acadêmico.
 
É sempre viável o uso de uma linguagem simples, porém formal, evitando o excesso de termos técnicos, palavras desconhecidas e em outros idiomas. Os originais da Bíblia, por exemplo, tem muita valia para definir melhor conceitos teológicos e textos de difícil interpretação, mas seu uso constante pode confundir ou mesmo cansar os ouvintes que não estejam familiarizados. Da mesma forma, gírias ou termos vulgares não convêm em uma apresentação formal da Palavra de Deus para o Povo de Deus.
 
4.    Ser respeitoso e moderado para com os ouvintes

O apóstolo Paulo em sua carta a Timóteo (1 Timóteo 5.1,2) deixa o modelo a ser seguido no trato dos irmãos. Dedo em riste, gritarias desenfreadas, palavras duras e ofensivas, obviamente não eram características do estereótipo de pregador ideal para o apóstolo.
 
Usar o tom de voz habitual, com amabilidade e respeito, escolhendo palavras doces, ainda que exortativas (aos anciãos como a pais, às idosas como a mães) é a melhor forma de ensinar e cuidar daquela por quem Cristo deu a sua vida – a igreja.
 
5.    Postura do pregador

Ao entrar na igreja as pessoas esperam uma Palavra confortadora, um ambiente de paz e presença de Deus. Esperam encontrar um ministro-sacerdote de Deus que anuncie uma Palavra inspirada e transformadora, que toque seu coração e mude sua vida. Esperam encontrar nesse sacerdote uma pessoa amável, benevolente, que transmita a paz que já encontrou naquele Deus que está sendo anunciado. Esperam encontrar a formalidade conveniente a um lugar que pressuponha a presença de alguém tão importante: o Criador do universo.
 
O que dizer se, ao invés disso, for encontrado um homem esbravejando, com o dedo em riste? O que pensar se esse homem parece em guerra com o microfone, gritando com ele? Se a postura deste homem não demonstra nenhuma formalidade pela Presença que ele anuncia? Se os gestos deste homem não denotam nenhuma compostura? Assim:
 
A. O pregador deve controlar seu tom de voz

1. O uso da voz é de extrema importância para uma boa prédica. O tom habitual é o ideal a ser usado para manter a naturalidade durante a pregação.
2. O volume deve ser suficiente para todos ouçam e entendam, ou seja, não se deve falar baixo demais, para não deixar de ser ouvido, e nem alto demais, para não deixar de ser compreendido.
3. A voz deve mostrar entusiasmo, alegria, convicção para que o interesse do ouvinte seja despertado. Ele se interessará por aquilo que o pregador se mostra interessado.
4. É importante que a voz condiga com as palavras. Não se pode contar algo triste em tom de alegria e satisfação, assim como não se conta algo alegre com voz triste e embargada.
5. O volume, o tom e a velocidade da voz devem variar durante a mensagem, acompanhando o efeito real que devem causar os diversos tipos de informações, afirmações e reflexões. Fazendo assim, o orador evita que a mensagem se torne cansativa e enfadonha.
 
B. O pregador deve policiar seus gestos

1. Gesticular é importante, pois o corpo todo deve ser usado na pregação, mas sem exageros. Os gestos devem estar de acordo com o que está sendo dito. Gestos simples, como levantar a mão ou erguer os olhos aos céus ao se referir a Deus ou sorrir ao falar de algo que deva surtir alegria.
2. A cautela é imprescindível. Andar de um lado para o outro, se coçar, ficar com as mãos nos bolsos, usar o microfone para gesticular, afastando-o da boca e outros gestos que o próprio bom senso pode revelar, além de serem deselegantes, acabam por tirar a atenção do ouvinte daquilo que é realmente importante, a Palavra de Deus. 
 
C. O pregador deve controlar suas emoções

1. Os textos de Eclesiastes 9.17 e 10.4 ensinam que a tranquilidade evita grandes erros.
2. O pregador que se deixa levar pelas emoções está sujeito a comprometer o conteúdo da homília. Discernimento e autocontrole são de extrema importância para que o orador se deixe envolver pela presença do Espírito Santo e não por suas próprias emoções, pois suas palavras podem ser precipitadas, impensadas e, pior de tudo, irreversíveis, pois a palavra dita não pode ser recuperada.
3. É importante ressaltar também que um pregador genuíno da Palavra Genuína nunca se envolverá com as práticas estranhas que têm tido lugar em alguns púlpitos da atualidade, como soprar sobre a igreja, balançar paletós, exigir a presença de anjos, deitar pessoas no chão e criar situações que mexam com o emocional dos ouvintes.
 
D. O pregador deve se ater a pregar

1. O cristão pentecostal tem o hábito de esperar que algo aconteça quando ele prega, como algum tipo de manifestação por parte dos ouvintes, como gritos de concordância e glorificação ou uma manifestação de línguas estranhas e dons espirituais.
2. De fato, a pregação resulta da e na manifestação do Espírito que, em dados momentos, pode vir acompanhada por dons espirituais ou glorificação e isso é excelente.
3. O erro comum é que o orador assume o microfone com uma meta: causar uma manifestação na igreja, direcionando todos os seus esforços para esse fim.
4. Quando a igreja se reúne, seu propósito é cultuar ao Senhor, louvando, orando, testemunhando e ouvindo Sua Palavra. A parte do pregador é, sob a inspiração do Espírito, transmitir a Palavra. Se for a vontade de Deus que haja uma manifestação de dons espirituais, que seja assim (Atos 10.44), porém, se Ele quiser que a igreja reverencie em silêncio a ministração de Sua vontade, isso é igualmente maravilhoso (Atos 20.9, 10).
 
O pregador deve se ater a pregar. Se for desejo de Deus, haverá uma manifestação sobrenatural ou mesmo milagres.

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A Pregação e o Pregador Reviewed by Aldenir Araujo on sexta-feira, fevereiro 28, 2014 Rating: 5

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