Aviva a Tua Obra: O Clamor de Uma Geração no Limite

Texto: Habacuque 3:2

Introdução

Meus irmãos, ao longo de três décadas de ministério, tenho observado um fenômeno preocupante em nossas igrejas. Vemos templos lotados, programas variados e música excelente, mas sentimos um silêncio ensurdecedor no céu. Há muito barulho, mas pouca vida.

Há muita atividade, mas pouco poder. O avivamento não é um evento emocional passageiro, nem uma campanha de marketing eclesiástico. Avivamento é vida onde havia morte, é fogo onde havia cinzas, é o sopro de Deus em ossos secos. Hoje, não vim trazer uma mensagem confortável para adormecer suas consciências, mas um chamado urgente para despertar seus espíritos. Habacuque, um profeta que viveu em tempos de crise iminente, nos ensina que o verdadeiro avivamento começa quando percebemos o quanto precisamos de Deus antes que seja tarde demais.

Aviva a Tua Obra: O Clamor de Uma Geração no Limite

Contexto Histórico

O profeta Habacuque ministrou em Judá aproximadamente entre 609 e 598 a.C., um período turbulento pouco antes da primeira invasão babilônica. O rei Jeoaquim estava no trono, um governante conhecido por sua injustiça, opressão e idolatria. Internamente, a nação estava corrompida pela violência e pelo abandono da Lei. Externamente, o império Caldeu (Babilônia) surgia como uma ameaça devastadora. Teologicamente, Habacuque luta com a teodiceia, questionando como um Deus santo pode permitir o mal. A resposta de Deus é que Ele usaria os babilônios para julgar Judá, mas também preservaria um remanescente. É neste cenário de julgamento iminente e decadência moral que surge a oração de avivamento do capítulo 3, um clamor não por conforto, mas por manifestação divina em meio ao caos.

I. A Audição da Fama de Deus

A. O profeta começa dizendo Senhor, ouvi a tua fama. No hebraico, a palavra para ouvir é shama, que implica não apenas perceber sons, mas dar atenção plena e obedecer. O avivamento nasce quando paramos de falar tanto e começamos a ouvir o que Deus já disse.

B. A fama de Deus refere-se aos Seus atos históricos de redenção, especialmente o Êxodo. Precisamos recordar o que Deus fez no passado para crer no que Ele pode fazer no presente, conforme nos exorta o Salmo 77:11 sobre lembrar das obras do Senhor.

C. Ouvir a fama de Deus exige humildade intelectual. Muitos líderes hoje querem criar novas teologias em vez de se submeter às antigas verdades reveladas nas Escrituras Sagradas.

D. A reputação de Deus está em jogo quando Seu povo vive em pecado. Quando a igreja se mundaniza, o nome do Senhor é blasfemado entre as nações, como alertado em Romanos 2:24.

E. O avivamento começa nos ouvidos do coração. Não é possível experimentar o poder de Deus se estivermos surdos à Sua voz profética que corrige e direciona nossos passos.

II. O Temor que Quebra a Comodidade

A. Habacuque declara “e temi”. A palavra hebraica yare descreve um temor reverencial que paralisa o orgulho humano. Sem esse santo temor, nossas reuniões são apenas eventos sociais religiosos.

B. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, conforme Provérbios 9:10. Uma igreja sem temor de Deus é uma igreja sem freios morais e sem profundidade espiritual.

C. Esse temor não é pavor de punição, mas o medo profundo de ofender a santidade de Deus. É entender que Ele é um fogo consumidor, como nos lembra Hebreus 12:29.

D. A comodidade espiritual é inimiga do avivamento. Quando não temos medo de viver sem a presença de Deus, já estamos espiritualmente mortos, mesmo que estejamos ativos.

E. O temor santo produz arrependimento genuíno. Não há avivamento sem lágrimas de contrição, pois é o temor que nos leva a confessar nossos pecados ocultos.

III. O Significado de Avivar

A. O clamor central é “aviva, ó Senhor”. No original, a palavra é chayah, que significa dar vida, preservar vivo ou restaurar à saúde. Não é pedir melhoria, é pedir ressurreição.

B. Pedir avivamento é admitir que estamos morrendo. Ninguém pede médico se acha que está saudável, e ninguém clama por vida se acha que está vivo.

C. A obra que precisa ser avivada é a obra de Deus, não nossos programas humanos. Muitas vezes tentamos avivar nossas estruturas em vez de buscar a vida de Deus.

D. Avivamento é soberania divina. Note que Habacuque diz “aviva, ó Senhor”. Não podemos fabricar avivamento, apenas preparar o ambiente para que Ele ocorra.

E. A vida espiritual é orgânica, não mecânica. Máquinas podem ser consertadas, mas apenas seres vivos podem ser avivados quando estão fracos ou moribundos.

IV. O Tempo de Deus no Meio dos Anos

A. A expressão no meio dos anos indica urgência. A palavra hebraica qereb significa meio, interior. O profeta não quer esperar o fim, ele quer Deus agora.

B. Vivemos dias maus, conforme Efésios 5:16. O avivamento não pode ser agendado para um futuro conveniente, ele é necessário para a sobrevivência espiritual presente.

C. O meio dos anos sugere que a crise já começou. Não devemos esperar que a situação piore para buscar a face de Deus com intensidade e clamor.

D. Deus age no tempo certo, mas o homem deve clamar no tempo urgente. A intercessão é o mecanismo humano que apressa a manifestação divina na história.

E. Cada geração tem seu momento de decisão. Se perdermos a oportunidade deste tempo, deixaremos um legado de frieza para os nossos filhos e netos.

V. A Manifestação Visível da Obra

A. Habacuque pede “faze-a conhecida”. Avivamento não é secreto, ele se torna visível na transformação de caráter e na ousadia do testemunho cristão.

B. A obra de Deus deve ser percebida pelas nações. Como em João 13:35, o mundo saberá que somos discípulos pelo amor e poder que nos distinguem.

C. Manifestação implica sobrenatural. Não basta esforço humano, precisamos de sinais que acompanhem a pregação do Evangelho, conforme Marcos 16:20.

D. A glória de Deus deve encher o lugar. Assim como no templo de Salomão em 2 Crônicas 7:1, a presença tangível de Deus é a marca do verdadeiro avivamento.

E. Quando a obra é conhecida, os inimigos tremem. A manifestação do poder de Deus confunde as estratégias das trevas contra a Igreja estabelecida.

VI. A Misericórdia no Meio da Ira

A. O versículo termina na ira lembra-te da misericórdia. A palavra hebraica racham refere-se a compaixão visceral, como de uma mãe por seu filho.

B. Reconhecemos que o julgamento é merecido, mas apelamos para o caráter gracioso de Deus. Sabemos que Ele não nos trata segundo os nossos pecados, Salmo 103:10.

C. A ira de Deus é contra o pecado, mas Sua misericórdia é para o pecador arrependido. O avivamento equilibra a verdade da justiça com o abraço da graça.

D. Sem misericórdia, o avivamento seria destruição. Se Deus nos tratasse apenas com justiça rigorosa, nenhum de nós permaneceria de pé diante dEle.

E. O clamor final é por graça sustentadora. Pedimos que, mesmo quando disciplinados, não sejamos abandonados, mas restaurados pelo amor incondicional do Pai.

Conclusão

Meus amados, chegamos ao fim desta mensagem, mas é aqui que começa o verdadeiro trabalho. Habacuque não terminou seu livro com uma teoria, mas com uma confiança inabalável em Deus, mesmo sem ver a solução imediata. O avivamento que buscamos não é para nos sentir bem, mas para glorificar a Deus em meio a uma geração pervertida. O altar está esfriando, a lenha está úmida, mas o fogo do céu ainda está disponível para aqueles que se humilham. Não saia deste lugar apenas com uma informação a mais, saia com uma determinação nova. Que o nosso clamor não cesse até que vejamos a obra de Deus ser avivada em nossos dias.

Aplicação

1.   Reserve trinta minutos diários para ouvir a Deus em silêncio, sem pedir nada, apenas buscando conhecer a Sua fama e caráter.

2.   Examine sua vida em busca de pecados ocultos e confesse-os imediatamente, restaurando o temor do Senhor em seu coração.

3.   Reúna-se com um pequeno grupo de intercessores esta semana para clamar especificamente por avivamento em sua igreja local.

4.   Identifique uma área de sua vida onde você tem dependido apenas de esforço humano e comece a buscar a manifestação sobrenatural de Deus ali.

5.   Pratique atos de misericórdia intencionais com pessoas difíceis, refletindo a graça de Deus que você pediu neste sermão. 

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