Filhos rebeldes: De quem é a culpa? Tema: Família

Texto: Efésios 6:1-4

Introdução: Crianças: vítimas ou culpadas? Estamos, diante de uma questão polêmica: quem é o culpado pela existência de filhos problemáticos? A culpa tem sido atribuída a vários fatores, de acordo com a percepção de cada pessoa.

Antes de redigir este estudo, além das pesquisas bíblicas, foram ouvidas pessoas de diferentes posições sociais, membros de igreja, oficiais e até mesmo elementos que professam outros credos, procurando sentir o que está acontecendo e o que pensam sobre o problema. Alguns responderam ser a sociedade a culpada, muitos afirmaram serem os pais (a família), outros não tiveram respostas, mostrando-se confusos e reflexivos.

O problema existe e requer uma análise profunda das dificuldades que afetam hoje os lares, os pais, os adolescentes e jovens.

I. O conflito de gerações

1. O lar hoje. Mudou muito a estrutura dos lares modernos. Pelo menos três pontos são bem conhecidos:
a. O amor está se esfriando. O casamento por si já é uma sociedade complexa. E ele está em crise. Se o dia não foi muito bom para um dos cônjuges, é certo que será ótimo para um bate-boca.
b. O sustento da casa está cada vez mais problemático. Se o dinheiro falta, a confusão está armada; quando sobra também.
c. Filhos sem afeto. A convivência dos pais com filhos é cada vez menor. O pai precisa sair de madrugada para o trabalho e só volta à noite: quase não convive com os filhos. A mãe tem sido obrigada a trabalhar fora.

2. Como são os filhos. A personalidade dos filhos é fruto de uma carga variada de influências-, o meio em que se formaram, a herança paterna, as influências externas e especialmente o pecado original do qual só nos livramos pela conversão e pela misericórdia de Deus. Assim, encontramos:
a. filhos rebeldes: estão sempre de mau-humor e criado conflitos com os pais e irmãos; logo cedo na vida arrumam seus colegas, se "enturmam" e não têm hora para sair ou chegar em casa;
b. filhos desobedientes: têm por hábito contrariar a vontade dos pais em quase tudo; não acatam sua autori­dade, suas ordens, fazem o que querem;
c. filhos respondões: discordam de tudo, às vezes gratuitamente; são turrões; outros agridem com palavras que humilham e ferem; xingam, discutem. Muitos assumem uma posição política contrária à da família, o que se torna um motivo a mais para desavenças;
d. filhos agressivos: são indelicados, batem nos irmãos e até nos pais, quebram objetos. São de "estopim curto". A qualquer contrariedade, explodem. Quando chegam em casa, tudo fica tenso; quando saem, é um alívio;
e. filhos preguiçosos: não cumprem suas tarefas, não estudam, e não querem trabalhar;
f. filhos delinquentes: desviam-se dos padrões morais da família, envolvendo-se em namoro escandaloso, ou mexendo com drogas, roubos, etc. São "barra-pesada" e a polícia está sempre de olho neles.

II. Problemas externos afetam a harmonia do lar

Entre os problemas externos, vamos analisar a interferência do consumismo e dos meios de comunicação sobre o lar.

1. Consumismo - A família sofre os efeitos negativos da inflação, mas o consumismo é um flagelo ainda maior. Provavelmente o verbo "comprar" seja o mais conjugado nos lares. Quando a expectativa dos filhos não corresponde aos seus anseios, surgem conflitos na família, que levam a consequências desastrosas - indisposição de pais contra filhos, abandono do lar, desenlaces, acarretando para os filhos problemas das mais diversas naturezas.

2. Influência negativa dos meios de comunicação - Existe uma interpretação materialista da vida. Isso não é novo. Nos dias de Davi já havia quem afirmasse: "Não há Deus",  Salmos 14:1. Hoje a divulgação dessa posição é feita pelo cinema, televisão, jornais, revistas, internet e livros. Os meios de comunicação estão solapando o alicerce da família.

III. Do ponto de vista espiritual, o que precisa ser feito

Aqui reside o ponto central da questão: filhos problemáticos normalmente não creem em nada. Até mesmo no meio evangélico, esse mal vem campeando. Os críticos atribuem a culpa à Igreja, aos pastores e presbíteros. Alegam falta de ambiente adequado, de tato no relacionamento, de melhores programas, ou de excessiva rigidez doutrinária. Na verdade, a Igreja começa ou tem a sua origem no lar e este, por sua vez, tem falhado em vários aspectos básicos, indispensáveis para a criação dos filhos, como:

1. Falta de espiritualidade. No Antigo Testamento, no sistema patriarcal, cada família se constituía numa congregação, onde Deus era servido e adorado, Deuteronômio 6:4,9. O cristianismo também se desenvolveu através das famílias. A Igreja Primitiva não tinha templos; suas reuniões eram feitas nos lares, Romanos 16:5. Hoje, a falta de cultivo espiritual nos lares está corroendo e desintegrando a família.

2. Falta de ensino, Provérbios 22:6 e 15. Os pais crentes precisam saber dizer aos seus filhos: "Sede meus imitadores como também eu sou de Cristo", I Coríntios 11:1.

3. Falta de disciplina - Esse elemento é indispensável para a construção da obediência dos filhos, Provérbios 22:15; 23:13-14 e 29:15-17 e Efésios 6:1-3.

4. Falta de amor - A Palavra de Deus determina que os pais amem os seus filhos, mas também que sejam prudentes, não os irritando, Colossenses 3:21. Os filhos problemáticos são na maioria das vezes frutos de uma rejeição, involuntária ou deliberada dos pais.

Conclusão: Duas propostas de soluções para os problemas entre pais e filhos.

1. O diálogo. Hoje os pais estão mais amadurecidos quanto a esses problemas e procurando dialogar com os filhos. Estão procurando apoio ou lendo mais, porque sabem que, dependendo da idade, soluções antigas como bater, castigar, humilhar são questionáveis. O diálogo tem dado muitos resultados, principalmente quando sincero, marcado pelo exemplo e pelo amor.

2. A oração. Tanto nos casos que possamos julgar fáceis, como nos difíceis, a intercessão pelos filhos e pelo lar é muito necessária. Jó fazia isso, diariamente, Jó 1:5.

"A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui", Lucas 12:15. Os bens de que a família mais necessita não podem ser adquiridos em lojas. Os maiores bens de uma família são a comunhão com Deus, o amor, a paz e a harmonia.

Extraído da revista de estudos bíblicos ALELUIA

Com algumas adaptações pelo Pr. Aldenir Araújo